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Produtores de cachaça esperam retomar exportações e ampliar produção em até 10 vezes com proteção no comércio com UE

abpi.empauta.com Brasília, 04 de agosto de 2019 G1 - Globo | BR Marco regulatório | INPI - 07/08/2019
Cachaça da Microrregião de Abaira, na Chapada
Diamantina, na BAhia é um dos 36 produtos brasileiros
quepodem receber selo de autenticidade com
acordo entre bloco europeu e Mercosul.
A possibilidade de proteção para 36 produtos tipicamente
brasileiros por meio de acordo comercial
entre o Mercosul e a União Europeia, conforme anunciou
em julho o Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento, tem deixado produtores de cachaça
da cidade de Abaíra, na região da Chapada Diamantina,
na Bahia, bastante otimistas.
Produzida a partir da cana-de-açúcar, cachaça da região
é um desses produtos e, se de fato houver a proteção,
os produtores esperam retomar exportações,
paradas há cerca de 15 anos, e aumentar produção em
até 10 vezes, conforme a associação dos produtores.
O texto do acordo que prevê proteção aos produtos
brasileiros ainda é preliminar e deve passar por revisões.
O acordo ainda não está em vigor e ainda depende
da aprovação de todos os países envolvidos no
pacto.
Além da cachaça de Abaíra, estão entre os produtos a
receberem proteção no comércio o queijo Canastra, a
linguiça Maracaju e o café Alto Mogiana (veja a lista
completa ao fim da reportagem).
Amedidareconhece a indicação geográfica dos produtos
tipicamente brasileiros e garante que não sejam
reproduzidos em outros países, ou seja, eles ficam
protegidos de imitações. Assim, pelo acordo, serão
proibidas expressões como "tipo", "estilo" e "imitação".

As indicações geográficas têm como objetivo a valorização
de produtos tradicionais. A Cachaça Abaíra
é produzida artesanalmente por pequenos
produtores da microrregião da cidade e região.Oprocesso
produtivo remonta de uma tradição de mais de
200 anos.
"Isso [o acordo] ainda é uma coisa que é nova e estamos
ainda com o pé atrás. No entanto, a nossa expectativa
é voltar a exportar, coisa que a gente não faz
há cerca de 15 anos, por conta das dificuldades desse
processo. O nosso maior problema hoje em dia é justamente
escoar o produto e, se a gente conseguir virar
esse jogo e ainda exportar, não tenho dúvidas de que
nossa produção pode aumentar em até 10 vezes",
destaca Junael Alves de Oliveira, presidente da Cooperativa
dos Produtores de Cana e seus Derivados da
Microrregião de Abaíra (Coopama).
Segundo Junael, atualmente, os produtores conseguem
vender os produtos para grandes cidades
baianas, como Salvador, Feira de Santana e Vitória
da Conquista, e para alguns estados como São Paulo,
Minas Gerais e Sergipe. Chegar a um maior número
de exportadores no Brasil e também no exterior é o
grande objetivo dos produtores.
"Nossa primeira exportação, há 15 anos ou mais, foi
para a Itália. Naquela época foi muito dinheiro. Hoje
em dia, tem muito produtor desmotivado.A logística
de escoamento aqui é difícil. Então, se a gente conseguir
exportar ou mesmo escoar mais para o mercado
interno, muitos produtores que estão parados
poderia retomar a produção e começar a alavancar o
produtores da microrregião da cidade e região.Oprocesso
produtivo remonta de uma tradição de mais de
200 anos.
"Isso [o acordo] ainda é uma coisa que é nova e estamos
ainda com o pé atrás. No entanto, a nossa expectativa
é voltar a exportar, coisa que a gente não faz
há cerca de 15 anos, por conta das dificuldades desse
processo. O nosso maior problema hoje em dia é justamente
escoar o produto e, se a gente conseguir virar
esse jogo e ainda exportar, não tenho dúvidas de que
nossa produção pode aumentar em até 10 vezes",
destaca Junael Alves de Oliveira, presidente da Cooperativa
dos Produtores de Cana e seus Derivados da
Microrregião de Abaíra (Coopama).
Segundo Junael, atualmente, os produtores conseguem
vender os produtos para grandes cidades
baianas, como Salvador, Feira de Santana e Vitória
da Conquista, e para alguns estados como São Paulo,
Minas Gerais e Sergipe. Chegar a um maior número
de exportadores no Brasil e também no exterior é o
grande objetivo dos produtores.
"Nossa primeira exportação, há 15 anos ou mais, foi
para a Itália. Naquela época foi muito dinheiro. Hoje
em dia, tem muito produtor desmotivado.A logística
de escoamento aqui é difícil. Então, se a gente conseguir
exportar ou mesmo escoar mais para o mercado
interno, muitos produtores que estão parados
poderia retomar a produção e começar a alavancar o
negócio. Hoje, a gente as vezes passa o produto para
parentes em outra cidade, por exemplo, para que esse
parente possa passar para o comprador, ou faz um
acordo com algum transportador e cobra o frete atrelado
ao preço do produto", afirma.

Conforme Junael, atualmente, a cooperativa tem faturamento
mensal de que varia de R$ 45 a R$ 50 mil.
Cada garrafa de cachaça custa, em média, R$ 21, se
compradas diretamente com os produtores. Os que
compram o produto para revender no mercado cobram
até três vezes mais, segundo a cooperativa. O
produto pode ser vendido separadamente ou em caixas
-- cada caixa comporta 12 garrafas.
"Se a gente conseguir aumentar o escoamento, retomar
as exportações ou mesmo aumentar as vendas
no mercado brasileiro, eu garanto que a nossa produção
pode .ser até 10 vezes maior e vamos gerar muito
emprego. Hoje, exportar é um negócio
complicado. Para a gente exportar, teria que ter alguém
afinado no ramo para fazer essa ponte para a
gente recomeçar a vender lá para fora ", destaca Junael.

A Cooperativa dos Produtores de Cana e seus Derivados
da Microrregião de Abaíra (Coopama) conta
com a parceria de mais cinco associações. São, ao todo,
150 produtores, que, além de cachaça, produzem
ainda açúcar mascavo, rapadura e mel.

Anualmente, a cidade de Abaíra realiza o Festival da
Cachaça, que esse ano acontece de 19 a 22 de setembro.
A festa reúne artistas locais e nacionais e tem
como objetivo aquecer a economia da região. "Vem
muita gente defora. São mais de 10 pessoas por dia de
festa. Com isso, a gente tem um aumento das vendas",
diz Junael.

A tradicional cachaça de Abaíra, município que tem
poucomais de8 mil habitantes, conforme o IBGE, recebeu
o registro IG (indicação geográfica da Bahia)
no ano de 2014. A partir de então, a cachaça produzida
localmente passou a ser considerado um produto característico da região por ter identidade
própria. A oficialização do registro foi feita pelo Instituto
Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Para conquistar o título, foram observados recursos
naturais, como a qualidade do solo, vegetação, clima,
além do manejo de fabricação.

A cachaça Abaíra foi o primeiro produto da Bahia a
recebero título,por ser consideradaaguardente decana
tipicamente brasileira. Isso garantiu aos produtores
valor de mercado e proteção da marca, que
passou a ser reconhecida internacionalmente.

O Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac) divulgou
nota celebrando o acordo que prevê também o reconhecimento
da Indicação Geográfica (IG) da cachaça
brasileira pelo bloco europeu, considerado
hoje um dos principais mercados da bebida brasileira.
O Ibrac aponta que o acordo representa um
grande avanço para o aumentodas exportaçõesdecachaça
para o mercado europeu, que é o principal
mercado de destilados no mundo.

Em 2018, a exportação de cachaça produzida em todo
o Brasil para a Europa rendeu mais deUS$7,8 milhões
de dólares à balança comercial brasileira.

"A partir do momento que o mercado europeu reconhece
que esse produto, ele o tem como confiável e
esse mercadose abre. Esse reconhecimento tem o objetivo
de proteger os elos, da cadeia produtiva e do
consumidor. O consumidor, ao adquirir o produto,
sabe que está comprando umproduto típico.O pacto,
por tanto, fortalece apossibilidadedeexportação porquetorna
o produtodiferenciado no mercado.Eos europeus
valorizam muito os produtos autênticos, de
origem controlada", afirma o assessor jurídico da
cooperativa e da associação dos produtores de cachaça
de Abaíra e região, Felipe Toé.

"A cooperativa e a associação são duas pessoas jurídicas
distintas.A cooperativa produz e a associação
é gestora da Indicação Geográfica.A associação, inclusive
tem o conselho gestor,que inclui o Sebrae e o
governo do estado, que faz o controle do selo.Esse selo
pode ser expandido para outros produtores da região
que produzem cachaça e, consequentemente,
essa produção pode ser expandida", comenta.

Na lista de 36 produtos brasileiros que conseguiram
proteção, sete são por denominação de origem, entre
eles o café da região do Cerrado Mineiro, os vinhos e
espumantes do Vale dos Vinhedos.

As indicações geográficas têm como objetivo a valorização
de produtos tradicionais. Há dois tipos:

indicação de procedência (IP): se refere ao nome de
um país, cidade ou região conhecida como centro de
produção de determinado produto;

denominação de origem (DO): reconhece um país,
cidade ou região cujo produto tem certas características
específicas graças a seu médio geográfico.

Na lista de 36 produtos brasileiros que conseguiram
proteção, sete são por denominação de origem, entre
eles o café da região do Cerrado Mineiro, os vinhos e
espumantes do Vale dos Vinhedos.

Veja a relação completa e o tipo de proteção:
Açafrão de Mara Rosa (Indicação de Procedência)
Arroz do Litoral Norte Gaúcho (Denominação de
Origem)
Cacau de Linhares (DO)
Cachaça
Cachaça da Região de Salinas (IP)
Cachaça de Microrregião Abaira (IP)
Cachaça de Paraty (IP)
Café Alta Mogiana (IP)
Café daRegião daSerradaMantiqueira deMinas Gerais
(DO)
Café da Região de Pinhal (IP)
Café da Região do Cerrado Mineiro (DO)
Café de Norte Pioneiro do Paraná (IP)
Cajuína do Piauí (IP)
Camarão da Região da Costa Negra (IP)
Carnes do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional
(IP)
Doces Finos de Pelotas (IP)
Erva-Mate de São Matheus (IP)
Farinha de mandioca de Farroupilha (IP)
Goiaba de Carlópolis (IP)
Inhame de São Bento de Ucrânia (IP)
Linguiça de Maracaju (IP)
Mel de Ortigueira (DO)
Mel do Oeste do Paraná (IP)
Mel do Pantanal (IP)
Melão de Mossoró (IP)
Própolis verde da Região da Própolis verde de Minas
Gerais (DO)
Própolis vermelho de Manguezais de Alagoas (IP)
Queijo Canastra (IP)
Queijo de Serro (IP)
Uvas de Marialva (IP)
Uvas e mangas do Vale do Submédio São Francisco
(IP)
Vinho branco, espumante e licoroso de Farroupilha
(IP)
Vinhos e espumantes Altos Montes (IP)
Vinhos e espumantes de Monte Belo (IP)
Vinhos e espumantes do Pinto Bandeira (IP)
Vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos (DO)


Fonte: abpi.empauta.com Brasília, 04 de agosto de 2019 G1 - Globo | BR Marco regulatório | INPI
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